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	<title>Senshin Aikido &#187; História do Aikido</title>
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	<description>Uma escola de Aikido em Campinas, SP, Brasil.</description>
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		<title>R.I.P. Sugano Sensei (1939-2010)</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 14:09:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História do Aikido]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais uma perda irreparável para o Aikido. Sugano sensei faleceu ontem (29/08/2010) em decorrência de complicações causadas pela diabetes. Sugano era um dos últimos shihans de sua geração. Tinha um aikido natural, fluido e lindo de se ver. Além disso, era uma pessoa muito querida e admirada por todos. Morava em Nova York desde o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-888" href="http://senshin.com.br/2010/08/r-i-p-sugano-sensei-1939-2010/screen-shot-2010-08-30-at-10-50-37-am/"><img class="alignnone size-full wp-image-888" title="RIP Sugano Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Screen-shot-2010-08-30-at-10.50.37-AM.png"  alt="" width="477" height="359" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p><a rel="attachment wp-att-888" href="http://senshin.com.br/2010/08/r-i-p-sugano-sensei-1939-2010/screen-shot-2010-08-30-at-10-50-37-am/"></a>Mais uma perda irreparável para o Aikido. Sugano sensei faleceu ontem (29/08/2010) em decorrência de complicações causadas pela diabetes. Sugano era um dos últimos shihans de sua geração. Tinha um aikido natural, fluido e lindo de se ver. Além disso, era uma pessoa muito querida e admirada por todos. Morava em Nova York desde o fim da década de 80 e dava aulas regulares no NY Aikikai. Em breve, um post completo sobre ele aqui no site do Senshin.</p>
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		<title>Lembranças de Tamura Shihan</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 15:18:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um emocionante artigo de Yamada Sensei sobre seu amigo e companheiro Nobuyoshi Tamura, falecido no último dia 10 de julho.
Outra, talvez a última das grandes estrelas da sociedade do Aikido se foi. O conhecimento de Aikido de Tamura Sensei fez dele a maior influência na Europa e no resto do mundo pelos últimos 45 anos. Senpai (em japonês, veterano), como eu o chamava, era bem conhecido como o Uke de O-Sensei....  ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>O emocionante artigo a seguir foi escrito por Yamada Sensei e enviado a seus alunos no dia de ontem. A tradução é do Cadu, a quem agradecemos.</em></span></p>
<p>Outra, talvez a última das grandes estrelas da sociedade do Aikido se foi.</p>
<p>O conhecimento de Aikido de Tamura Sensei fez dele a maior influência na Europa e no resto do mundo pelos últimos 45 anos. Senpai (em japonês, <em>veterano</em>), como eu o chamava, era bem conhecido como o Uke de O-Sensei enquanto era uchideshi e é desnecessário dizer que ele foi o assistente de O-Sensei em sua viagem ao Havaí, há aproximadamente 50 anos. Para os japoneses, naquele tempo, era um sonho ir ao Havaí. Então todos nós o invejávamos.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-860" href="http://senshin.com.br/2010/08/artigo-de-yamada-sensei-sobre-tamura-shihan/screen-shot-2010-08-19-at-12-08-23-pm/"><img class="alignnone size-full wp-image-860" title="Tamura Sensei e O-Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Screen-shot-2010-08-19-at-12.08.23-PM.png"  alt="" width="320" height="423" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p>Os movimentos de altíssima qualidade técnica de Senpai vieram em grande parte por ter sido uke de O-Sensei. Ninguém pode copiá-lo. Se você tentar fazê-lo, será somente divertido. Contudo, eu tentei roubar dele tudo que acreditei que poderia ser útil para mim.</p>
<p>Em março passado, estive com ele ministrando o seminário anual em Madri, e em abril ele me informou sobre algumas mudanças em sua saúde. Em maio e junho fiz algumas visitas a ele em sua casa. Na minha segunda visita, fiquei muito impressionado com sua atitude, tão calma, serena e relaxada. Pareceu-me que ele estava se preparando para longas férias.</p>
<p>Senpai já era uchideshi quando eu me tornei um. Passávamos a maior parte do tempo juntos. Em 1964, eu saí do Japão para Nova York e, na primavera do mesmo ano, Senpai também deixou o Japão com sua esposa e foi para a França. Senpai costumava brincar: &#8220;Eu esperei até você ir primeiro e nos mostrar como poderia fazê-lo. Agora que você conseguiu, posso me decidir&#8221;. Aquilo não era verdade. Não houve ninguém que fosse mais confiante do que ele foi. Ele não apenas sobreviveu, mas tornou-se um grande sucesso na Europa.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-863" href="http://senshin.com.br/2010/08/artigo-de-yamada-sensei-sobre-tamura-shihan/screen-shot-2010-08-19-at-12-03-29-pm/"><img class="alignnone size-full wp-image-863" title="Yamada Sensei e Tamura Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Screen-shot-2010-08-19-at-12.03.29-PM.png"  alt="" width="303" height="180" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p>Estou escrevendo este artigo durante o Curso Anual de Verão no sul da França. Fizemos este seminário juntos por quase 30 anos, portanto é muito emocionante pra mim. O que vem à tona são os ótimos momentos que tivemos juntos durante os seminários em vários países.</p>
<p>Nadamos em Nice cercados de beldades em topless, andamos de burro ao lado de um penhasco em Marrocos. Em Marrakesh, Marrocos, uma cobra foi enrolada em torno do meu pescoço para uma foto. Voamos perto de Angels Falls na Venezuela num pequeno avião Cessna. O cheiro em uma academia na Ioguslávia era tão ruim que Senpai foi embora dizendo: &#8220;Você termina isso!&#8221;. Viajamos pelo Japão com amigos, e durante esta viagem fomos a um karaokê e eu tive que cantar um dueto com Senpai, que não tinha nenhum senso musical.</p>
<p>Muito obrigado por essas memórias maravilhosas que tivemos juntos. Tenho orgulho de mim por ter sido seu parceiro.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-864" href="http://senshin.com.br/2010/08/artigo-de-yamada-sensei-sobre-tamura-shihan/screen-shot-2010-08-19-at-12-14-32-pm/"><img class="alignnone size-full wp-image-864" title="Screen shot 2010-08-19 at 12.14.32 PM" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Screen-shot-2010-08-19-at-12.14.32-PM-e1282230936385.png"  alt="" width="270" height="240" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p>Ele costumava dizer que conhecer várias pessoas através do Aikido era sua felicidade. Mantendo este pensamento em mente, vou fazer o meu melhor para lidar com as pessoas que eu possa conhecer em minha vida.</p>
<p>Eu acreditei num milagre, mas ele não aconteceu. Entretanto, fiquei muito contente de saber que ele estava nos braços de sua esposa em seus últimos momentos. Ele sempre esteve com sua amada esposa, quase 24 horas por dia, então ele merecia isso.</p>
<p>Deixe-me dizer mais uma vez: Estou muito feliz por ele. E o invejo da mesma maneira que o invejei quando o vi como uke de O-Sensei. Eu o invejei por tudo que ele fez com o seu Aikido.</p>
<p>Por favor, volte de suas férias o quanto antes. Tenho um Bordeaux 1995 nos esperando. Vamos beber juntos novamente.</p>
<p>Y. Yamada</p>
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		<title>R.I.P. Tamura Sensei (1933-2010)</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 03:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aconteceu há uns 2 ou 3 anos. Eu estava em Buenos Aires com o Clauber e mais uns 10 alunos do Senshin para o seminário de Yamada Sensei. Naquele ano, Tamura Sensei era seu convidado e ambos dividiam as aulas do evento, que obviamente foi incrível. Mas quero contar aqui um pequeno episódio de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-797" href="http://senshin.com.br/2010/07/r-i-p-tamura-sensei/photo-1/"><img class="alignnone size-full wp-image-797" title="Tamura Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/07/photo-1.jpeg"  alt="" width="402" height="604" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p><a rel="attachment wp-att-797" href="http://senshin.com.br/2010/07/r-i-p-tamura-sensei/photo-1/"></a>Aconteceu há uns 2 ou 3 anos. Eu estava em Buenos Aires com o Clauber e mais uns 10 alunos do Senshin para o seminário de Yamada Sensei. Naquele ano, Tamura Sensei era seu convidado e ambos dividiam as aulas do evento, que obviamente foi incrível. Mas quero contar aqui um pequeno episódio de que me lembrei hoje quando soube da morte de Tamura, vítima do câncer, por volta de 19h de ontem (hora da França).</p>
<p>Em certo momento, o mestre chamou-me para ser seu uke. Jogou-me pra lá e pra cá algumas vezes até que parou o iriminage antes de executar a projeção, mantendo-me desconfortavelmente envergado enquanto explicava algo à platéia atenta. Não sei quanto tempo aquilo durou, mas, para mim, foram séculos de desconforto, apreensão e, por que não dizer, um misto de tensão e honra por estar fazendo ukemi para um dos shihans mais importantes da história do aikido.</p>
<p>De repente, num movimento bem veloz, fui arremessado. Tentei responder o mais rapidamente que pude e, daquela posição, um ushiro otoshi me pareceu a coisa mais apropriada a se fazer.</p>
<p>Esse é dos momentos na vida que eu gostaria de viver de novo para poder fazer diferente. Se tivesse outra chance, eu simplesmente desabaria no chão como um saco de batatas.</p>
<p>Mas não. Eu quis fazer bonito. E aterrissei com o cotovelo esquerdo sobre o peito do pé de Tamura Sensei. E, claro, com meus 90kg sobre meu cotovelo esquerdo. Do chão, imediatamente mirei o rosto do mestre que me olhava fulminante e (quem pode culpá-lo?) furioso. Imagino que a dor foi lancinante, mas, curiosamente, ele não moveu nenhum músculo da face, exceto por um leve tremor em suas pálpebras que, tenho certeza, só eu entendi.</p>
<p>Em seguida, ele saiu andando (sem mancar, é preciso deixar claro) e foi até o outro lado do enorme tatame onde permaneceu parado por alguns minutos. Acredito que ninguém além de nós dois percebeu o que acontecera.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-819" title="Tamura Sensei 3" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/07/photo-3.jpeg" alt="" width="491" height="720" /></p>
<p>Nobuyoshi Tamura ingressou no Hombu Dojo em 1953 e tornou-se um dos discípulos favoritos do fundador do aikido, Morihei Ueshiba. Foi enviado à França em 1964 para ensinar e lá viveu até ontem. Era diretor técnico da Federação Francesa de Aikido e Budô e uma das principais personalidades do aikido mundial, com mais de 35 mil alunos filiados além de centenas de milhares de admiradores.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-799" href="http://senshin.com.br/2010/07/r-i-p-tamura-sensei/tamura-sensei-tharso-clauber-marita/"><img class="size-full wp-image-799 alignnone" title="tamura-sensei-tharso-clauber-marita" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/07/tamura-sensei-tharso-clauber-marita.jpg"  alt="Marita, Clauber, Tamura Sensei e eu (Tharso) no USAF Summer Camp, 2004." width="312" height="431" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p>No tatame, era uma figura ímpar. Com um ótimo senso de humor e um pouco exótico, como todo gênio, mas bastante genial, ao contrário da maioria dos exóticos. Seu aikido podia ser suave e leve&#8230; ou absolutamente devastador. Um aikido de formas livres e indefinidas, mas sempre eficiente, preciso e cheio de energia.</p>
<p>De nossa parte (e aqui falo pelo Senshin Dojo), lamentamos profundamente a perda da família, dos alunos e do aikido. Domu-arigatogozaimashitá, Tamura Sensei.</p>
<p>Voltando ao episódio da cotovelada no pé, um tempo depois, na mesma aula, ele passou por mim e esboçou um sorriso discreto, desses com o canto do lábio. Retribuí mostrando as palmas das mãos, como quem pede desculpas. Ele fechou a cara, aproximou-se e disse algo em japonês cujo significado eu posso imaginar. Depois, continuou andando. Achei bem justo.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rK_C6uGEquQ&amp;hl=en_US&amp;fs=1?color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/rK_C6uGEquQ&amp;hl=en_US&amp;fs=1?color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Entrevista: Yamada Sensei (parte 4 &#8211; final)</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 22:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje, 17 de fevereiro, é aniversário de nosso mestre, Yamada Sensei. Em comemoração, estou publicando a 4ª e última parte da entrevista dada a Peter Bernarth e David Halprin durante o USAF Summer Camp da Região Leste em 1998, na Universidade de New Hampshire. A tradução, como nas outras, é da Cris. Se você não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Hoje, 17 de fevereiro, é aniversário de nosso mestre, Yamada Sensei. Em comemoração, estou publicando a 4ª e última parte da entrevista dada a Peter Bernarth e David Halprin durante o USAF Summer Camp da Região Leste em 1998, na Universidade de New Hampshire. A tradução, como nas outras, é da Cris. Se você não leu as outras partes, acesse: a <a href="http://senshin.com.br/2009/11/entrevista-yamada-sensei-parte-1/">primeira</a>, a <a href="http://senshin.com.br/2009/11/entrevista-yamada-sensei-parte-2-2/">segunda</a> e a <a href="http://senshin.com.br/2009/12/entrevista-yamada-sensei-parte-3/">terceira</a></em><em>. É isso. Feliz aniversário, Sensei.</em></p>
<p><strong>Mas todos vocês gostam de treinar vigorosamente? Muito físico, muito técnico?</strong><br />
Sim. Não agüento quando as pessoas não treinam pra valer&#8230; Por que vêm? Sempre falo pra mim mesmo que se não conseguir me movimentar mais como quero, fisicamente, eu simplesmente paro. Só porque fico mais velho e talvez não me mova tão bem&#8230; Não é motivo para mudar meu estilo. Se eu me vir fisicamente em deterioração, eu paro. Não quero mudar, negando a importância de treinar arduamente, “Oh, assim não, você tem que treinar com suavidade”.</p>
<p>Não quero que as pessoas treinem de acordo com minha idade ou condição. Não vou fazer isso. Eu simplesmente paro. Acontece&#8230; As pessoas não se movimentam como costumavam e começam a negar o fato. Não quero que isso aconteça comigo. As pessoas dizem, “Não vá naquele dojo. Você não tem que treinar de forma tão severa. É preciso ser suave.” Mas na verdade eles falam isso porque  não conseguem fazer como deveria ser feito. Ou você escuta alguém falando “O-Sensei nunca fez um koshinage”. Isso é idiotice. Só falam isso porque não conseguem fazer&#8230; Começam a negar.</p>
<p>É claro que conforme você envelhece, precisa de algum ajuste, mas ainda assim pode manter a pureza, a postura sólida, a técnica limpa, clara. Você deve manter isso sempre. Não precisa ser desleixado. Olhe para o Osawa sensei. Ele não era desleixado mesmo sendo velho. Ainda tinha bom equilíbrio. Essa é uma das razões pelas quais o admiro e respeito, porque na idade dele, ainda era forte.</p>
<p><a href="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/02/1YYbio.jpg"  rel="lightbox[roadtrip]"><img class="aligncenter size-full wp-image-669" title="Yamada Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/02/1YYbio.jpg" alt="" width="550" height="360" /></a></p>
<p><strong>Na época que Tohei Sensei estava se desligando, você achou que aquela abordagem do tipo Ki se tornaria mais popular?</strong><br />
Não pensei isso, mas ainda assim, estaria tudo bem.  Esclarece as diferenças. Por isso fico feliz que ele a tenha chamado de Ki Society, que não tenha usado o Aikido no nome de seu estilo.</p>
<p>Sabe, depois que Tohei Sensei falecer, não acho que alguém consiga fazer o que ele fez. Você não pode aprender algo assim apenas pensando assim. Não dá. Lembre-se, na época que ele se desligou, ele era fisicamente muito forte. Tinha uma boa técnica, vigorosa. As pessoas o viam fazendo demonstrações&#8230; E ele os convencia de que estava apenas usando o Ki, mas na verdade ele era muito forte.</p>
<p><strong>Há muitas federações de Aikido hoje&#8230;</strong><br />
Isso é positivo. Nossa federação é importante para nós por alguns bons motivos. Pela união, para compartilhar idéias&#8230; Mas por outro lado me alegro de ver outras federações.  É impossível esperar que todo mundo trabalhe junto. Eles têm idéias diferentes.</p>
<p>Nossos membros gostam de mim e Kanai Sensei e dos outros Shihan pessoalmente, e gostam de nosso Aikido. Ótimo. Se as pesssoas querem se juntar a nós porque gostam da nossa técnica, bem. É assim que somos. Por isso temos menos problemas do que outras organizações, porque vocês não estão envolvidos politicamente.</p>
<p>Essa é a reazão pela qual fazemos do jeito que fazemos. O principal é que vocês continuem praticando, é só o que precisam. Não precisam entrar em conflito com os outros. Vocês estão aqui principalmente para praticar, certo? Por isso as pessoas, principalmente na Europa, nos invejam. Dessa forma há mais tempo para treinar ao invés de toda hora ter que ir a reuniões.</p>
<p><strong>Você ficou surpreso quando o Aikido começou a crescer tanto?</strong><br />
Sim e não. Acho que nem mesmo o O-Sensei imaginava que iria se tornar tão popular no mundo todo. Por outro lado, acredito que houve boas razões para o público ter aceitado o Aikido.</p>
<p><a href="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/02/yamada.jpg"  rel="lightbox[roadtrip]"><img class="aligncenter size-full wp-image-679" title="YY Nikkyo" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/02/yamada.jpg" alt="" width="287" height="430" /></a></p>
<p><strong>Por que ele se tornou tão popular?</strong><br />
Bom, várias razões&#8230; O aspecto espiritual  é uma razão, claro, mas na verdade simplesmente por causa dos movimentos do Aikido. Todo mundo tem o desejo de estabelecer contato físico&#8230; Mas o judô talvez seja muito bruto, com muita luta e no karatê você não tem contato físico a não ser que esteja sparring. No Aikido há certo contato físico, mas com movimentos fluidos. Você aprecia o treino&#8230; Estabelecendo contato físico. É uma sensação boa. Às vezes, você se machuca, ou às vezes, machuca alguém&#8230; Mas isso te deixa feliz (risos).</p>
<p>É engraçado, na sua cabeça você acha que gostaria de bater em alguém. No Aikido você de fato tem esse contato físico. Você os arremessa no chão ou faz uma chave e fica satisfeito. Claro que no judô a história é diferente. Se quiser competir, não é fácil. Nem todos conseguem. É preciso excelente forma física. É difícil se você é mais velho ou pequeno. O Aikido está mais no meio. Você pode fazer como lhe agradar. Vigoroso, suave, como quiser. Acho que por isso ele é tão popular, porque as pessoas têm satisfação, independentemente de sua condição física ou limitações&#8230; E é efetivo.</p>
<p>Você poderia falar um pouco sobre a importãncia de sua relação com o Hombu dojo e os outros uchi deshi? Você freqüentemente traz shihans do Japão e outros paises para nossos seminários. Por favor, explique sobre os contatos com o Hombu agora e a manutenção das relações com aqueles professores.<br />
Bom, como você sabe, tem havido alguma desavença quanto a certos assuntos, chegando às vezes a parecer uma Guerra Fria. Mas não sei, talvez estejamos exigindo muito deles, entende? Eles têm suas próprias situações e considerações. Isso é compreensível. Eles cometeram alguns erros conosco, os quais eles mesmos admitem atualmente. Eles têm suas desculpas, suas próprias circunstâncias. Entendo que é difícil porque sei como é. Quando você é o chefe há certas responsabilidades. Portanto, algumas coisas eu compreendo, porque embora esteja lidando numa escala diferente, também estou nessa condição, porém, algumas coisas têm que ser corrigidas.</p>
<p>Mas independentemente do que tenha acontecido, nós permanecemos conectados. Esse é um ponto interessante na sociedade do Aikido, temos um forte background, uma forte conexão com a família do fundador. Só no Aikido. No judô eles já a perderam. Quem se importa com a família Kano hoje?</p>
<p>E quem sabe&#8230; No Aikido pode acontecer a mesma coisa. Uma geração depois da nossa talvez eles nem saibam quem é Ueshiba. Não acredito que todo dojo coloque a foto de Moriteru. Duvido. Mas que posso fazer? Tento manter esse tipo de tradição e conexão. Uma linha direta. Por isso em todo Summer Camp tentamos convidar aqueles que estão trabalhando na instituição central, no Hombu.</p>
<p>Talvez parte do problema seja que nós todos fomos embora de lá. Eu, Tamura, Kanai, Chiba, Sugano. A nova geração não conheceu O-Sensei. Portanto, para a geração mais nova, talvez seja importante mantermos contato com eles, ensinar-lhes a história, como era com o O-Sensei no dojo naquele tempo. Houve um “gap” entre a segunda e a terceira geração. Fomos todos embora. Sentimos-nos meio culpados por isso. E isso nos traz a responsabilidade de manter o contato.</p>
<p><strong>O  mundo do Aikido parece ter crescido imensamente através dos anos. Hoje, todos vocês shihans, que partiram, possuem grandes organizações de Aikido fora do Japão. Muito da experiência do Aikido está agora fora do Japão. Você vê formas nas quais os Shihans internacionais possam colaborar com o Hombu dojo hoje e compartilhar suas experiências ?</strong><br />
É uma questão de confiar um no outro.</p>
<p><strong>Em sua recente viagem ao Japão, em maio, você deu uma aula no Hombu dojo.</strong><br />
Aquela foi a primeira vez. A primeira vez que um de nós, shihan, deu uma aula regular lá, desde que saímos do Japão.</p>
<p><strong>Você espera que esse tipo de coisa comece a acontecer com mais freqüência?</strong><br />
Quando eu estava falando com eles antes e depois da aula, disse que esperava ser essa a primeira de muitas oportunidades, tanto para mim quanto para os outros shihan. Senti ter aberto uma nova ponte e, de agora em diante, quando meu Sempai ou meu Kohai voltarem, espero que eles tenham a mesma oportunidade.</p>
<p><strong>Dessa forma o conhecimento poderia ser comparttilhado.</strong><br />
Isso.</p>
<p><strong>Você poderia falar um pouco sobre o Shihankai que foi formado recentemente?</strong><br />
Alguns fatos importantes&#8230; Claro, somos todos indivíduos diferentes, com diferentes formas de pensamento, diferentes formas de ensinar as pessoas, diferentes estilos de Aikido. Mas, se algo acontecesse a nós, algum conflito, acho que os alunos seriam os que iriam sofrer, porque, vamos supor que eu e Chiba Sensei tenhamos uma discussão e decidamos não trabalhar mais juntos. Nossos alunos são os que irão sofrer.</p>
<p>É importante estarmos juntos, não só pelo nosso benefício, mas pelo de todos, dos alunos. É importante que estejamos trabalhando juntos de alguma maneira, mostrando que temos boas relações, ao invés de ficar brigando. Porque nesse caso vocês serão forçados a tomar uma decisão. Como eu e Kanai Sensei. Se algo acontecesse entre nós, haveria separação completa. E vocês teriam que tomar uma decisão, fazer uma escolha. Isso é péssimo.</p>
<p>Por isso o Shihankai é uma coisa boa. Não por razões políticas, mas por amizade, por trabalharmos e aprendermos juntos. Cada um de nós tem uma maneira diferente de ensinar aos alunos, filosofias diferentes. Especialmente pelo tamanho de nosso país, tão grande. Não conseguimos manter muito contato entre todos hoje. Portanto, é bom trabalharmos juntos, fazer seminários um com o outro.</p>
<p><strong>Então o Shihankai foi formado como uma maneira de dar continuidade à amizade e criar comunicação positiva?</strong><br />
Acho que sim. Idealmente, seria bom se todos os shihan se juntassem com freqüência e fizessem seminários. Seria muito bom. Mas de novo, por causa do tamanho de nosso país, é difícil. Em um país como a França é possível. Eles se reúnem com Tamura, todos os shidoins, mas aqui não é assim. Financeiramente, economicamente, nem todos podem se dispor facilmente.</p>
<p><strong>Algumas vezes os shihan se reúnem como um grupo.</strong><br />
É, isso é bom. Como na celebração dos 30 anos do New York Aikikai na Colgate University. Vez ou outra, conseguimos juntar pessoas suficientes para apoiar esse tipo de evento. Foi ótimo.</p>
<p><strong>É um grande benefício para seus alunos poderem treinar com todos vocês pelo menos uma vez</strong>.<br />
É bom mostrar aos alunos que todos os shihans estão trabalhando bem unidos.</p>
<p>Uma coisa que sempre foi positiva é que mesmo tendo um professor principal, como Kanai Sensei ou você, nós também tivemos a oportunidade de passar bastante tempo aprendendo com os outros shihans, como Sugano Sensei, Chiba Sensei e Tamura Sensei. Tivemos o benefício de muitos professores e essa tem sido uma grande experiência para nós.<br />
É bom. Vocês têm muita sorte.</p>
<p><strong>Mas também foi importante para nós saber que era de um só professor que aprendíamos os fundamentos</strong>.<br />
Isso é importante para que vocês não fiquem confusos.</p>
<p><strong>É assim também que você vê isso?</strong><br />
É. Você pode ter a oportunidade de roubar algo bom de todos, mas seus fundamentos devem ser do seu próprio professor no dia a dia.</p>
<p><strong>É esse um dos motivos pelos quais, por muitos anos, desde o início na verdade, você trouxe professores do Hombu?</strong><br />
Sim. É uma oportunidade para que eu mantenha boas relações com outros shihans. Se eu começar a ficar muito presunçoso, tipo não preciso de ninguém ou quero ser o chefão e coisa assim, o que irá acontecer? Suas oportunidades vão ficar limitadas. É por eu ter boas relações com Tamura Sensei que ele vem a Nova York ou ao Summer Camp.</p>
<p>Em troca, ganho a oportunidade de ir ao Summer Camp deles. É bom ter diversidade, mais oportunidades aparecem em um nível internacional, global. Porém, se eu estabelecer somente minha família, no gênero “não preciso de nenhum outro shihan”,  por ter inveja deles ou coisa parecida, é péssimo. Sua habilidade de aprender fica limitada. É um mundo pequeno e acredito que devamos permanecer unidos.</p>
<p><strong>Essa atitude parece ter sido benéfica. A qualidade de seus alunos é alta&#8230; Falando de nós mesmos!</strong><br />
Isso porque você foram expostos a bons professores. Naturalmente, tenho que julgar quem eu considero bom. Não vou convidar alguém que não é bom só porque é um amigo. Eu não faria isso. É desperdício de dinheiro e tempo. Mesmo não gostando particularmente de um shihan, eu o convidaria se achasse que é benéfico para vocês.</p>
<p><a href="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/02/1yy.jpg"  rel="lightbox[roadtrip]"><img class="aligncenter size-full wp-image-673" title="YY" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/02/1yy.jpg" alt="" width="292" height="366" /></a></p>
<p><strong>Como você vê o futuro, Sensei?</strong><br />
Bem, vocês é que me dizem, vocês são o futuro&#8230; (risos)</p>
<p><strong>Como você gostaria que fizéssemos as coisas no futuro ou que direção você gostaria que tomássemos?</strong><br />
Só não quero que vocês se percam. Quero que saibam para onde ir. Não importa qual o argumento, continua sendo importante manter uma conexão com o dojo central, independentemente de quem estiver lá, porque aquilo é o que o publico vê. Essa é nossa organização, não interessa. É de lá que vêm nossos certificados.</p>
<p>Se algum dia tomarmos a decisão de romper com a instituição central será porque nos preocupamos com seu futuro. Mas não sei se seria uma boa decisão. Por exemplo, se ficássemos independentes e emitíssemos nossos próprios certificados da graduação de Dan. Enquanto estivermos aqui tudo bem, mas e depois de nós, o que irá acontecer? Mais tarde, as pessoas dirão, “O que significa esse certificado? É só um pedaço de papel.” Mas se ele vier da organização central, tem um valor inerente. Tem uma tradição.</p>
<p>É por isso que na Europa há dois testes para graduação de Dan. Um nacional e um da instituição central. Eles criaram o nacional, mas os alunos ainda querem fazer o exame Aikikai e pegar o certificado Aikikai. Essa é a realidade. As pessoas dão valor a essa conexão com a central. Não sei o que acontecerá depois que nos retirarmos. Veremos o que vai acontecer. Sei que vocês provavelmente continuarão a trabalhar junto com seus amigos na nossa organização aqui nos Estados Unidos e fora.</p>
<p><strong>Você nos daria algum conselho quanto a essa situação?</strong><br />
A solução? Tenho que permanecer jovem. Tenho que viver muito. (risos)</p>
<p>Parece que já existe uma conexão sólida entre os alunos dos shihan internacionais. As pessoas freqüentemente viajam para seminários de outros grupos. Muitos shidoins estão ensinando internacionalmente. As relações já estão se formando entre os instrutores mais jovens. Parece que nosso futuro já está preparado e que iremos manter essa conexão. A forma como todos vocês têm trabalhado juntos tem sido passada para a nossa geração.<br />
Acho que há amizades fortes no grupo que irão manter um elo. Espero que tenhamos construído algo que perdure. Mas nunca se sabe. Nem sei exatamente o que vai acontecer no meu próprio dojo quando eu me for. Quem ficará encarregado? Tentarei não deixar nenhum conflito, não sei como, mas é da natureza humana ter diferenças. Talvez algumas pessoas briguem pelo dojo.</p>
<p>O Havaí é um bom exemplo. Eles brigaram para ver quem poderia usar o dojo. Aquele dojo pertencia aos membros e eles acabaram brigando para decidir quem poderia usá-lo. O New York Aikikai também pertence aos membros. Portanto podem surgir problemas. Seria diferente se eu tivesse um filho que assumisse, como na família Ueshiba. Mas meu filho não está envolvido com Aikido, então fica difícil prever o futuro no que se refere à nossa federação. Poderia haver uma cisão, mas ainda assim haveria uma boa parte de vocês que permaneceria unida e manteria a ordem. Não sei quantos, não sei quem exatamente, mas acho que incluiria vocês David e Peter, Claude (Berthiaume), e Harvey (Konigsberg).</p>
<p><strong>Acho que isso é algo que já deveríamos começar a pensar de alguma forma.</strong><br />
Sim. De agora em diante quero passar mais tempo fazendo isso. Pensando em como manter vocês e a organização unida. Por isso quero estabelecer uma comunicação direta entre vocês e a instituição central, para o futuro. Não importa o que aconteça, vocês precisam manter comunicação com o dojo central. Aonde mais vocês iriam quando fossem ao Japão? O sonho de todo mundo é ir ao Japão e treinar no Hombu Dojo. Não há como negar isso.</p>
<p><strong>Você acha que o Hombu dojo está tentando manter uma boa conexão conosco também?</strong><br />
Sim, acho que eles estão vendo a importância disso e também estão tentando. Eles se preocupam com sua relação comigo e com os outros shihan. Nós conversamos sobre esses assuntos. Se eles cometem um erro, devemos abordá-los diretamente. Temos que ter capacidade de dizer ‘não’ se discordarmos.</p>
<p>Escrevi em um artigo que, sendo um líder, você deve ter pessoas que possam lhe dizer ‘não’. “Olha, sensei, isso está errado. Não acho que é boa idéia.” É importante que haja essas pessoas e você deve escutá-las. Não se está sempre certo. Eu cometo erros. Como o Peter, às vezes você vem e diz alguma coisa quando discorda de mim. Não me importo, se acho que a idéia é boa vou com você. Se não concordo, te mando pro inferno! (risos)</p>
<p><strong>Sensei, queremos lhe agradecer por essa entrevista. Cobrimos vários assuntos diferentes. Foi meio livre, sem direção determinada.</strong><br />
Acho que um elemento importante aqui é fazer com que o público saiba quem e o quê nós somos. Falar francamente. Dizer que há alguns grupos que estão no caminho certo. Nesse momento, muita gente está perdida. Há tanta porcaria por aí. Eles não sabem onde encontrar o verdadeiro Aikido. Dessa forma, pelo menos, eles têm alguma informação para tomarem sua decisão. Foi uma boa idéia. Sempre estarei disponível para entrevistas como essa.</p>
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		<title>Nota de falecimento: Kawai Sensei (28/02/1931 &#8211; 26/01/2010)</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 13:59:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História do Aikido]]></category>
		<category><![CDATA[falecimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Foi com grande tristeza que recebi nesta manhã a nota informando o falecimento do shihan Reishin Kawai, 8º Dan, introdutor do Aikido no Brasil. Em nome do Senshin Dojo, torno público nosso pesar e deixo aqui nossa sincera homenagem àquele que deu início ao aikido no nosso país. Abaixo, trecho da nota oficial: Lamentamos muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi com grande tristeza que recebi nesta manhã a nota informando o falecimento do shihan Reishin Kawai, 8º Dan, introdutor do Aikido no Brasil. Em nome do Senshin Dojo, torno público nosso pesar e deixo aqui nossa sincera homenagem àquele que deu início ao aikido no nosso país.</p>
<p>Abaixo, trecho da nota oficial:</p>
<p><em>Lamentamos muito informar o falecimento de Kawai Sensei. Há alguns anos Kawai Sensei foi operado da próstata por conta de um tumor, e também realizava hemodiálise semanalmente. No início desta semana, sofreu um AVC, vindo a falecer na noite de ontem.<br />
O enterro será realizado às 17h no Cemitério de Congonhas, localizado na Rua Ministro Alvaro de Souza Lima, 101, Jardim Marajoara (distante cerca de 3km do Aeroporto de Congonhas, em direção a Interlagos).</em></p>
<p><em> </em></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 231px"><a rel="attachment wp-att-609" href="http://senshin.com.br/2010/01/nota-de-falecimento-kawai-sensei-28021931-27012010/kawai_reishin/"><img class="size-full wp-image-609" title="Reishin Kawai Sensei (28/02/1931 – 27/01/2010)" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2010/01/kawai_reishin.jpg"  alt="" width="221" height="320" / rel="lightbox[roadtrip]"></a><p class="wp-caption-text">Reishin Kawai Sensei (28/02/1931 – 27/01/2010)</p></div>
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		<title>Entrevista: Yamada Sensei (parte 3)</title>
		<link>http://senshin.com.br/2009/12/entrevista-yamada-sensei-parte-3/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 20:38:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[História do Aikido]]></category>

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		<description><![CDATA[(Por Peter Bernarth, 7º dan &#38; David Halprin, 6º dan) Nota do editor: Esta é a terceira parte da entrevista com Yamada Sensei que aconteceu durante o USAF Summer Camp da Região Leste em 1998, na Universidade de New Hampshire. No trecho a seguir, Yamada Sensei de sua ida para os Estados Unidos, em 64 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Por Peter Bernarth, 7º dan &amp; David Halprin, 6º dan)</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Nota do editor: Esta é a terceira parte da entrevista com Yamada Sensei que aconteceu durante o USAF Summer Camp da Região Leste em 1998, na Universidade de New Hampshire. No trecho a seguir, Yamada Sensei de sua ida para os Estados Unidos, em 64 e da separação de Koichi Tohei do Aikikai. (você também pode acessar a <a href="http://senshin.com.br/2009/11/entrevista-yamada-sensei-parte-1/" target="_blank">primeira parte</a> da entrevista, a <a href="http://senshin.com.br/2009/11/entrevista-yamada-sensei-parte-2-2/" target="_blank">segunda parte</a> e a <a href="http://aikidoonline.com/articles/shihankai_articles/yamada/inside_aikido_pt1.php" target="_blank">entrevista original</a>, em inglês, publicada no Aikido Online). Mais uma vez, agradecemos à Cris pela tradução</em>.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-452" title="Yamada Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2009/12/yamada06.jpg" alt="Yamada Sensei" width="250" height="251" /></p>
<p><strong>Sensei, como você acabou vindo para os Estados Unidos?</strong><br />
Houve várias razões na verdade. A primeira foi por causa do idioma. Eu já falava inglês, não tão bem como agora, mas falava alguma coisa. Esse foi um motivo. Em segundo lugar, dava aula para os americanos nas bases militares no Japão, portanto estava familiarizado com a mentalidade desse povo. E também porque eu queria vir para Nova York. Sabia que Nova York era o meu tipo de cidade.</p>
<p>Eu tinha conhecido algumas pessoas daqui que já estavam praticando e sabiam o que era Aikido. Essa foi a razão principal. Eu vim em 1964, na época da Feira Mundial em Nova York. Inicialmente, (Koichi) Tohei Sensei estaria comigo nessa feira para fazer demonstrações de Aikido no pavilhão japonês, mas ele não pôde vir.</p>
<p><strong>Por que ele não pôde vir?</strong><br />
Bom, não sei se eu deveria falar, mas ele estava bêbado uma noite, caiu e quebrou as costas. Acho que isso aconteceu umas duas semanas antes de nossa partida. É por isso que ele tem tanto problema com suas costas até hoje, resquícios daquele acidente.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-451" title="Yamada Sensei" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2009/12/yamada08.jpg" alt="Yamada Sensei" width="250" height="306" /></p>
<p><strong>Então você permaneceu em Nova York após a Feira?</strong><br />
Bom, eu não sabia quanto tempo iria ficar. Eu achava que alguns meses, algo assim, mas, ainda estou aqui. Como eu disse, nenhum de nós achava possível se sustentar com o Aikido. A coisa meio que aconteceu. Tamura conhecia algumas pessoas na França, então ele já tinha um contato. A mesma coisa com o Chiba na Inglaterra. O Sugano casou com uma australiana e se mudou para lá com ela. Sei que as pessoas gostam de imaginar que havia um grande plano do Hombu Dojo, mas isso não é verdade. Não foi planejado, nós simplesmente fizemos tudo por nossa conta.</p>
<p><strong>Você era casado nessa época, não era?</strong><br />
Sim, mas não pude trazer minha esposa até bem depois. Eu não tinha dinheiro e estava tendo muitos problemas com meu visto. Eu tinha um advogado imbecil. Se ele tivesse me conseguido um visto de turista logo no início eu não teria tido qualquer problema para conseguir o green card. Naquela época era fácil, mas eu tinha esse tipo especial de visto de intercâmbio cultural. Eles não têm mais isso, mas como era o que eu tinha, me deu muito trabalho para obter o green card. Nunca sabia se eles iam me mandar embora.</p>
<p>Depois, com a família aqui, especialmente meus dois filhos que nasceram aqui e cresceram como cidadãos americanos, eles tinham que pensar antes de me chutar para fora. Porque era obrigação deles proteger os cidadãos americanos. Eles não se importavam comigo, minha esposa ou Mika, minha primogênita nascida no Japão, apenas com meus filhos americanos.</p>
<p>Uma vez me disseram: “OK, deixe os seus dois filhos americanos aqui e vá para casa. Você, sua mulher e sua filha mais velha simplesmente vão embora. Inacreditável! Então tive que arranjar um monte de desculpas relacionadas aos meus filhos, do porquê eu não podia ir embora. Só por isso eles me deixaram ficar”.</p>
<p>A primeira desculpa que usei foi que se eu voltasse para o Japão, não ganharia o suficiente para sustentar a família. Minha empresa, que era o Aikikai, Hombu Dojo, não podia me pagar o bastante para sustentar dois cidadãos americanos. Então eles tiveram que reconsiderar. Claro que tive que pedir para o Hombu Dojo escrever uma carta dizendo o quanto eles iriam me pagar se eu voltasse a ensinar lá. Levei a carta para a imigração e levou de 3 a 4 meses para eles tomarem uma decisão. Então finalmente disseram não, você tem que ir embora.</p>
<p>Então, a próxima desculpa, pelo que me lembro, foi a saúde das crianças. Disse que o Japão era muito úmido, não era um bom lugar para um bebê crescer, um cidadão americano. Então de novo eles reconsideraram mais um pouco. Naquele tempo um de meus alunos trabalhava na imigração. Toda vez que ele ia até a escrivaninha e via meus documentos, os colocava de volta em baixo da pilha! (risos). Tentei de tudo. Não sei quantas vezes fui à imigração. Odiava fazer isso.</p>
<p>Agora, tem uma coisa boa que o Presidente Nixon fez, ele cancelou aquele programa de visto para intercâmbio cultural. Portanto, de repente, eu não tinha mais um status definido. Eu era livre. Porque uma vez residente você não pode deixar de ser. Ponto. É a lei. Então, a primeira coisa que você deveria fazer era pegar a permissão do Departamento de Trabalho. Peguei essa permissão da imigração e Departamento de Trabalho. Eles colocavam um anúncio no New York Times: “alguém tem uma graduação maior do que a minha em Aikido?” Se um americano se apresentasse, eu não recebia o visto. Eles não querem que você pegue o trabalho dos americanos.</p>
<p>Mas aí, depois de tudo esclarecido, tive a permissão para ficar. Por isso tive que enviar minha família de volta ao Japão, mesmo sendo cidadãos americanos e tendo passaportes americanos; porque eu não sabia quando eles iriam me mandar para fora do país e não os queria presos a mim nessa hora. Naquela época você podia ir para o Canadá por um dia e retornar como turista. Mas eu não tinha o visto de turista, não podia fazer isso. Se deixasse o país, era o fim. Não poderia voltar por dois anos. Por isso mandei minha família de volta.</p>
<p><strong>Quanto tempo eles ficaram longe?</strong><br />
Bom, eles começaram a estudar lá. Ainda bem que minha família podia tomar conta deles. Não havia como sustentá-los com minha receita de Aikido naquela época. Como eu ia fazer? Sinto-me mal quanto à minha família, não tenho muitas lembranças com as crianças. Estávamos separados, e, quando eles retornaram, eu estava ocupado, e não estávamos tão bem financeiramente quanto hoje.</p>
<p>Eu não podia simplesmente levá-los para onde eu ia. Para um seminário, de jeito nenhum, impossível. Levei Nima uma vez para um Summer Camp quando era pequena. Esse é meu único grande arrependimento, o tempo que não passei junto à minha família.</p>
<p><strong>Como eram as aulas no New York Aikikai nessa época, nos primórdios?</strong><br />
No início, todos os alunos eram ex-praticantes de judô ou karatê. Eles eram os únicos interessados. Nós não anunciávamos publicamente. Também havia o pessoal do Tai-Chi. Enquanto dava aula, podia escutá-los no vestiário discutindo tudo, as técnicas, a efetividade. Havia um cara, Lou Kleinsmith, que era instrutor de judô e professor de Tai-Chi e era meio metido a esperto. Ele sempre falava para o pessoal “É assim que realmente funciona, blá, blá,blá”, e mostrava algum truquezinho ou coisa parecida. Claro que não era Aikido. (risos).</p>
<p>Então, mais ou menos nesse período, começou a febre do karatê. Eu tinha bom relacionamento com todos os professores americanos de karatê, portanto, toda vez que eles tinham um torneio, me convidavam para fazer demonstrações no Madison Square Garden e em outros lugares. Me convidavam quase toda semana. Claro que não me pagavam, mas era uma boa oportunidade de difundir o Aikido.<br />
<img class="alignnone size-full wp-image-453" title="Yamada Sensei - Demonstração " src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2009/12/yamada05.jpg" alt="Yamada Sensei - Demonstração " width="250" height="199" /></p>
<p><strong>Então as pessoas que viam as demonstrações&#8230;</strong><br />
Sim. Toda vez que eu fazia uma demonstração eles adoravam. Depois de ficar vendo karatê por 3 a 4 horas, eles se cansavam daquilo e queriam algo novo, diferente. Eu entrava no palco, não ficava muito tempo, só bam, bam, bam e acabou. As pessoas nunca haviam visto nada parecido. Eles adoravam. No dia seguinte, apareciam no dojo.</p>
<p><strong>Então isso realmente ajudou o Dojo a crescer?</strong><br />
Ajudou, porque essa é a única forma de se fazer propaganda. É o único jeito de fazer com que as pessoas saibam o que é o Aikido. Por isso não gosto mais de fazer demonstrações. Fiz tantas que me cansei disso. Foi um exagero. Mas nós aproveitávamos qualquer oportunidade.</p>
<p>Fiz uma demonstração nas ruas do South Bronx, no asfalto. Era inverno, portanto eu estava usando luvas pretas. Me lembro de um cara dizendo, ‘Oh, ele é um matador, tem luvas pretas!’ (risos). Naquele tempo muita gente tinha idéias doidas sobre as artes marciais. Sabe como é&#8230; Eles copiavam o Bruce Lee do seriado de televisão que existia.</p>
<p><strong>O &#8220;Besouro Verde&#8221;?</strong><br />
Isso mesmo. Esse programa ajudou muito a trazer popularidade às artes marciais, mais interesse. E tinha um outro cara &#8230; fiz uma demonstração com ele, aquele astro de cinema &#8230; ele faz o Texas Ranger hoje.</p>
<p><strong>Chuck Norris?</strong><br />
Isso, ele. Chuck Norris. Um cara legal. Costumávamos fazer demonstrações juntos. Ele gosta de Aikido. Fizemos uma demonstração no Hilton de Nova York.</p>
<p>Certa vez fiz uma demonstração com um professor de karatê. Foi engraçado, meus alunos eram muito maldosos. Ele fez uma demonstração na qual ele cortava fora o gargalo de duas garrafas de uísque com as mãos&#8230; bam, bam, bam. Então meus alunos brincavam, “o pessoal do karatê vai e arranca os gargalos do uísque e o pessoal do Aikido vem e bebe.” (risos)</p>
<p><strong>Parecem tempos selvagens.</strong><br />
Sim, era selvagem.</p>
<p><strong>Quem eram algumas das primeiras pessoas no dojo?</strong><br />
Bom, deixe-me ver. No início eu não tinha onde morar, então dormia no dojo, no vestiário, com Angel Alvarez. Angel era uchideshi. Era um garoto de 13 anos. Ele estava estudando. Não me lembro exatamente como ele foi parar no Dojo. Terei que perguntar a ele. Mas no Dojo antigo nós morávamos juntos. Ele ia pra escola depois do treino. Era um menino bonitinho, inocente, sabe?</p>
<p><strong>Isso é difícil de acreditar (risos). Ele foi o primeiro uchideshi no New York Aikikai ?</strong><br />
Mais ou menos, sim. Ele foi o primeiro.</p>
<div id="attachment_454" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-medium wp-image-454" title="After class, Summercamp 2004" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2009/12/040-500x375.jpg" alt="Embaixo: Sunil; Acima dele: Chuck, Ben e Heidi; Em cima: Clauber, Eduardinho, Tharso e Angel Alvarez - dobrando o hakama -, o primeiro uchideshi do New York Aikikai." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Embaixo: Sunil; Acima dele: Chuck, Heidi e Ben. Em cima: Clauber, Eduardinho, Tharso e Angel Alvarez, o primeiro uchideshi do New York Aikikai.</p></div>
<p><strong>Então ele estava lá antes do Harvey?</strong><br />
Estava. O Harvey veio depois do Harry McCormack. Acho que Harry o apresentou ao Aikido. Mike Abrams já estava lá. Ele estava cursando o último ano da faculdade ou coisa assim.</p>
<p><strong>Quantos membros havia no New York Aikikai nos dois primeiros anos?</strong><br />
Talvez 50 membros pagantes. Como disse, naquela época eles não tinham condições de alugar um apartamento para mim. Não havia dinheiro sobrando, só o suficiente para pagar o aluguel e a luz. Eu havia trazido alguns dólares comigo do Japão. Se não fosse isso, não teria durado muito.</p>
<p>Menti para o meu pai quando vim para cá, dizendo que ia para a Columbia University. Foi assim que consegui que me desse dinheiro para ficar. Fui lá um dia (risos).  Fazia um curso de inglês. Tudo que eles me ensinavam era ‘This is a pen&#8230; is this a pen?”. Eu pensei “que diabo&#8230;” (risos). Não preciso pagar por isso. Já sei o que é uma caneta! (risos).</p>
<p>Prefiro ir à um bar e aprender inglês “vivo”. E foi o que fiz. Foi assim que aperfeiçoei meu inglês. Mas tinha que mostrar para meu pai que freqüentava a faculdade. Era só por isso que ele me mandava dinheiro.</p>
<p><strong>Quando você começou a pensar em fundar a USAF (Unites States Aikido Federation)?</strong><br />
Posso pensar em duas razões: uma foi por causa do rompimento de (Koichi) Tohei Sensei com o Aikikai. Tínhamos que ter nossa própria identidade. E também, por causa da fundação da International Aikido Federation. Fomos mais ou menos forçados a nos unir rapidamente. Não fomos avisados de nada até tudo já estar estabelecido, porque era uma situação mais européia.</p>
<p>Então o Chiba nos perguntou se iríamos aderir. Falamos OK, e ele então disse que teríamos que formar uma federação nacional para entrar como membro. Foi por isso que começamos. Tivemos que fazer inúmeras reuniões para organizar tudo isso. Yoshioka, no Havaí, cooperou. Juntamos um bom grupo de pessoas. Bill Witt, Frank Doran, Bob Nadeau&#8230; O grupo da Costa Oeste.</p>
<p><strong>Quem era o Shihan aqui na época?</strong><br />
Kanai Sensei, claro. Akira Tohei Sensei estava em Chicago na época&#8230; Ele ficou no Havaí antes disso por um bom tempo. Na verdade, ele estava no Havaí quando eu estava a caminho de Nova York em 1964. Dei uma passada lá para encontrá-lo. Ele foi enviado para ficar lá pelo período de dois anos. Naquele tempo ele era aluno direto do Koichi Tohei. Por isso Tohei Sensei o mandou para lá. Então ele retornou ao Japão por um tempo, e depois foi para Chicago.</p>
<p><strong>Então a USAF foi formada depois da saída de Koichi Tohei Sensei do Aikikai?</strong><br />
Foi. Nós já tínhamos alguma coisa como uma associação na Costa Leste, mas nada nacional.</p>
<p><strong>Imagino que foi um período difícil quando Koichi Tohei saiu.</strong><br />
Foi. Foi uma grande ruptura. Alguns dos professores japoneses foram com ele. Na maioria os alunos diretos mais antigos de Tohei Sensei em sua cidade natal. Toyoda foi um dos que rompeu. E também Shuji Maruyama. Ele estava em Cleveland inicialmente. Tinha sido contratado por alguma escola de arte marcial de lá. Depois ele se mudou para a Filadélfia. Ele foi junto com o Tohei, o que foi bom para mim e Kanai. Ele era muito chato (risos). De certa forma achei esse rompimento muito ruim, porque não sabia como e exatamente por que o Koichi Tohei havia mudado de idéia quanto ao Aikikai.</p>
<p>Mas&#8230; Ele era um bom líder. Tinha carisma. Era forte, positivo. Sempre falava tudo diretamente. Ele era muito bom, um chefe fácil e tranqüilo. Por um lado detestei isso ter acontecido, mas por outro lado foi uma mudança positiva.</p>
<p>O Aikido se tornou mais claro, o aspecto da técnica em si. É bem mais claro o que ensinamos hoje. Sabe&#8230; Aquelas coisas do Tohei&#8230; Braço não-dobrável, ki, ki, ki&#8230; Muita filosofia, pouca técnica básica. Então por um lado é bom que tenha acontecido assim. Também foi bom o que aconteceu com o Saotome. As pessoas que foram com ele&#8230; Limpou a casa de certa maneira.</p>
<p><strong>Então apesar de ter uma relação pessoal próxima com Koichi Sensei, você não quis se separar?</strong><br />
Eu fui bem franco. Ele tinha tanta certeza que eu iria com ele&#8230; Foi um erro de cálculo muito, muito grande da parte dele. Ele não tinha dúvidas de que eu o apoiaria. Eu tinha muita influência&#8230; Ele achou que teria todos os Estados Unidos. Eu lhe escrevi, “Eu positivamente lhe respeito, ainda o considero como um professor, mas ouvi lados diferentes dessa história, das razões pelas quais você está saindo da organização.</p>
<p>Tenho uma responsabilidade quanto aos meus alunos. Se estivesse só por minha conta, talvez  fosse com você, mas não posso.” E essa é outra coisa boa nele. Ele me escreveu uma carta simpática dizendo, “Entendo sua situação, que é muito clara.” Ele foi muito amável e não tive problemas quanto a isso. Mas antes disso, ele não tinha dúvidas que eu iria junto.</p>
<p><strong>Ele também achou que os outros iriam com ele?</strong><br />
Isso eu não sei. Provavelmente. Acho que ele é um homem muito confiante&#8230; Achava que os Estados Unidos estavam com ele, então talvez tenha pensado que sim, mas não foi como aconteceu. Até mesmo no Havaí, que era seu próprio território, eles também não o seguiram.</p>
<p>Yoshioka estava encarregado lá, mas ele também não saiu. Yoshioka era uma pessoa bem antiquada. Sua mentalidade era muito leal, sabe? A instituição é a instituição. Vem primeiro lugar. É nosso dever. Pessoalmente, gosto do Tohei Sensei. Mas faço parte de uma organização. Algumas pessoas saíram com ele e depois se separaram dele também. Todos fizeram a mesma coisa que ele fez.</p>
<p><strong>Isso é interessante. Quando um grupo se divide, as pessoas freqüentemente tornam a se dividir</strong><br />
É como uma reação nuclear, divide, divide, divide.</p>
<p><strong>Você acha que as pessoas enfatizaram mais o aspecto técnico do Aikido como resultado disso?</strong><br />
Acho. As pessoas mais sossegadas, mais tranqüilas,  tinham uma atração por Tohei Sensei. Pessoas que não querem treinar muito arduamente, que não querem sofrer. Ele as atraía com aquela filosofia de ensino. Era fácil de fazer. O treino não era tão puxado. Por isso falo que foi bom que tudo aconteceu. Esse pessoal foi com ele e nós não precisamos deles.</p>
<p>É claro que Tohei Sensei tinha muitas coisas boas para oferecer. Inclusive muitas coisas que faço hoje, aprendi com ele. Mas jamais poderia fazer aquilo cem por cento do tempo. Impossível. Mas ele nos deu alguns pontos muito bons. Benéficos. Não há dúvida. Mas não gosto de ser parcial e insistir que tem que ser só desse jeito.</p>
<p><strong>Sensei, você poderia falar um pouco mais sobre o grupo que permaneceu unido? Sobre nossa forma de treinar com mais ênfase no aspecto técnico, na prática árdua? Por que você acha isso importante ?</strong><br />
Porque no final das contas, as pessoas falam sobre esses aspectos espirituais das artes marciais, budo, mas o budo é, ainda assim, um compromisso físico, contato físico. Você aprende com seu corpo praticando movimentos físicos. Por isso digo que não gosto dessa abordagem demasiadamente parcial, enfatizando apenas o lado espiritual. Além disso, gosto de manter a pureza da arte que aprendi com O-Sensei, que é o que acredito que esteja fazendo.</p>
<p><strong>E os outros uchi deshi que estavam no seu grupo compartilhavam dessa mesma abordagem?</strong><br />
Creio que sim. Ângulos diferentes, é claro, mas isso é que é bom no Aikido. Todo mundo é diferente, desde que não vá longe demais. Há estilos diferentes, as pessoas estudaram em diferentes épocas com O-Sensei, e portanto foram expostas a coisas diferentes. Basicamente, há uma similaridade entre nós&#8230; Sugano, Chiba, Kanai, diferentes abordagens, diferentes ângulos, mas isso é natural.</p>
<p><strong>Mas todos vocês gostam de treinar vigorosamente? Muito físico, muito técnico?</strong><br />
(&#8230; <a href="http://senshin.com.br/2010/02/entrevista-yamada-sensei-parte-4-final/">Continua</a>)</p>
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		<title>Alguém aí a fim de colaborar?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 20:29:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nossa ideia ao criar este blog é levar aos nossos alunos, amigos e a todos os interessados em aikido, um conteúdo bacana sobre esse assunto em língua portuguesa. Vou continuar cavando histórias, escrevendo minhas impressões e opiniões, além de publicar todo tipo de material interessante que eu achar por aí. Mas, além disso, gostaria de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nossa ideia ao criar este blog é levar aos nossos alunos, amigos e a todos os interessados em aikido, um conteúdo bacana sobre esse assunto em língua portuguesa. </p>
<p> Vou continuar cavando histórias, escrevendo minhas impressões e opiniões, além de publicar todo tipo de material interessante que eu achar por aí. Mas, além disso, gostaria de deixar a porta aberta pra quem quiser colocar algum assunto em pauta. Neste espaço, o debate e a troca saudável de ideias e opiniões são bem-vindos.</p>
<p>Outra coisa: Há bastante material interessante sobre aikido em inglês, mas traduzir dá trabalho e, muitas vezes toma um tempo que, no momento, não tenho. Se alguém tiver essa disponibilidade e quiser contribuir, please, entre em contato pelo <a href="mailto:tharso@senshin.com.br">tharso@senshin.com.br</a> ou deixe um comentário neste post que mando algum material. Desde já, agradeço! =)  </p>
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		<title>Entrevista: Yamada Sensei (parte 2)</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 18:53:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tharso vieira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Por Peter Bernarth, 7º dan &amp; David Halprin, 6º dan)</em></p>
<p><em>Nota do editor: Esta é a segunda parte da entrevista com Yamada Sensei que aconteceu durante o USAF Summer Camp da Região Leste em 1998, na Universidade de New Hampshire. No trecho a seguir, Yamada Sensei relembra seus dias como uchi-deshi no Hombu Dojo. (para ver a primeira parte da entrevista, <a title="Entrevista: Yamada Sensei - parte 1" href="http://senshin.com.br/2009/11/entrevista-yamada-sensei-parte-1/" target="_self">clique aqui</a>; para ver a entrevista original, em inglês, publicada no Aikido Online, </em><em><a title="Yamada Sensei Interview - Aikido Online" href="http://aikidoonline.com/articles/shihankai_articles/yamada/inside_aikido_pt1.php" target="_blank">clique aqui</a></em><em>). Mais uma vez, agradecemos à Cris pela tradução.</em></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-332" title="Hombu Dojo" src="http://senshin.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Captura-de-tela-2009-11-16-às-01.06.53-.png" alt="Hombu Dojo" width="401" height="253" /><br />
<em> Da esq para dir: Y. Kobayashi, (?), N. Tamura, M. Noro, (?), Y. Yamada.</em></p>
<p><strong>Como era treinar com O-Sensei?</strong><br />
O-Sensei não ensinava num horário regular. O Doshu dava a aula das 6h30 da manhã. Sempre que O-Sensei estava por perto, e sempre que tinha vontade, ele interrompia a aula. Ele simplesmente entrava e dizia “Não se incomode, não se incomode, continue praticando”. Mas ele queria falar. Ele era tão gracioso, sabe? Ele passava por ali enquanto praticávamos porque toda vez que ia usar o banheiro tinha que cruzar a entrada do dojo. Ele ia e voltava, esperando que alguém o convidasse para entrar, sabe? Depois de ser ignorado ele não agüentava. Ele entrava e dizia: “Bom dia a todos”, e falava “Continue, continue…” (risos)… Então ele falava e falava e falava…Era engraçado.</p>
<p>A aula das 8h era dada pelo Tohei Sensei quando ele estava lá. Tohei Sensei e Osawa Sensei, basicamente. Naquela época, Tohei ia muito ao Havaí. Ele ia, ficava um ano, mais ou menos, e então voltava.</p>
<p>Para a aula das 6h30 da manhã nós ficávamos meio atarefados. Tínhamos de limpar o dojo por dentro e fora em meia hora. Acordávamos às 6 horas e tirávamos o pó de tudo, porque era nosso dojo. Era nossa responsabilidade. Tínhamos que terminar antes dos alunos chegarem. Na aula das 6h30, tínhamos de ajudá-los, eles eram meio principiantes. Mas a aula das 8hs era realmente treino para nós. Muitos estudantes de faculdade vinham para aquela aula, então era bom. A aula das 3h da tarde era dada pelo Tada Sensei, que era muito popular com os jovens e esse era bom treino para nós também.</p>
<p>Todos estavam fora com o Doshu ou Tohei nas aulas da noite, porque eles tinham que sair para trazer alguma receita para o dojo. Portanto, não me lembro muito dessas aulas. Além disso, se eu tivesse tempo livre, eu jogava hooky, portanto não ia nessas aulas. De vez em quando eu ia. Eu era um gênio jogando hooky.</p>
<p><strong>Você pode nos contar algumas das suas técnicas? (risos)</strong><br />
Simplesmente desapareça! (mais risos)</p>
<p><strong>Esse é o segredo, apenas desapareça?</strong><br />
É claro que quando ingressei, não havia ninguém abaixo de mim. Só havia Arikawa Sensei, Tamura Sensei e eu, e Noro de vez em quando, mas eu era o mais novo e, portanto, tinha que fazer tudo.</p>
<p>O trabalho mais duro naquela época, e que para mim era o mais fácil, era limpar o banheiro e a sala de banho – havia dois banheiros no estilo japonês. Como levava muito tempo para limpá-los, era uma boa desculpa para se atrasar para a aula (risos). Então, eu me oferecia para fazer essa tarefa. Além do mais, você podia dormir um pouco mais. Eu estava no banheiro, e ninguém me incomodava, e era uma boa desculpa para me atrasar 10, 15 minutos.</p>
<p><strong>Quando conhecemos os instrutores mais velhos, Osawa Sensei, Tada Sensei, Arikawa Sensei, todos tem muitas peculiaridades. Como eles eram na época? Eles eram iguais?</strong><br />
Claro. Tada Sensei nunca mudou. Eu vejo suas demonstrações em vídeos. Ele nunca mudou. Acho que alguém que mudou muito foi Arikawa Sensei, de pior para melhor. Ele era selvagem, maldoso.</p>
<p><strong>Era assustador?</strong><br />
Sim. Era assustador fazer ukemi para ele.</p>
<p><strong>&gt;&gt;</strong> <a href="http://www.facebook.com/video/video.php?v=213237166562" target="_blank">Veja no Facebook do Senshin o vídeo do 11º All Japan Demonstration, em 73, com demonstrações de Tada Sensei, Arikawa Sensei, Osawa Sensei e do segundo Doshu, Kishomaru Ueshiba</a>.</p>
<p><strong>Parece que sempre houve uma relação especial com Osawa sensei?</strong><br />
Sim. Eu era seu uke favorito. Ele gostava de mim. Acredite se quiser, eu era um bom uke. Eu era bem flexível e bem magrinho. Ele tinha uma movimentação de condução ampla, difícil de acompanhar. Sua técnica exigia um bom uke. Dessa forma, ele parecia ainda melhor. É óbvio que todo mundo precisa de um bom uke para parecer melhor. Menos o Arikawa Sensei que não precisa de um bom uke. Não importa… Você não tinha opção (risos)!</p>
<p><strong>Como era com Tohei Sensei?</strong><br />
Fazer ukemi para ele… Era um pouco difícil para algumas pessoas. Eu fazia ukemi para ele às vezes nas suas aulas particulares porque eu falava inglês. Não muito bem, mas na época pelo menos, ele tinha dificuldades em se comunicar por causa de seu inglês híbrido, rudimentar. Mas muitos americanos vinham fazer aulas com ele, então eu tinha que fazer ukemi.</p>
<p><strong>O que aconteceu com Tohei Sensei?</strong><br />
Bom, eu vou contar. Infelizmente, o que aconteceu, mas ele era uma pessoa incrível. Personalidade forte, bom uke, valoroso, você sabe, um grande coração. Completamente o oposto da personalidade do Doshu. O Doshu era mais quieto, pacato. Você podia falar com Tohei Sensei sobre tudo. Ele adorava beber. Ele era como um ídolo. No meu entender ele era. Você sabe, quando você é jovem, você fica impressionado. O cara foi para o Havaí e voltou com uma camiseta havaiana bonita, cheirando a colônia boa e bebendo scotch como água. Eu pensava “Meu Deus”, sabe? Sempre rodeado de mulheres… Nós éramos jovens, sem dinheiro, portanto ele realmente nos impressionou.</p>
<p><strong>Como foi que você começou a dar aulas?</strong><br />
Eu já falava um pouco de inglês. Foi assim que eu acabei dando aula. Naquele tempo havia muitas bases militares americanas ao redor de Tóquio. Essa era outra razão pela qual eu não podia fazer as aulas da noite. Eu era responsável por ensinar em duas bases. Eu saía do dojo as 4h ou 5h para ir para lá. Levava uma hora de trem. A essas alturas, todos os alunos já tinham terminado suas tarefas diárias.</p>
<p>Esses foram bons tempos. Eu ia para o clube dos oficiais depois da aula e bebia um bom Scotch, o que, claro, era impossível conseguir no Japão naquela época. Scotch? Esquece! Mas lá você tomava Scotch como água. Eu também dava aulas na universidade, então todos os alunos de lá queriam vir comigo para me ajudar! Aí, não sei como aconteceu, mas eu e Kanai fizemos uma equipe. Íamos juntos para Yokohama todo fim de semana.</p>
<p><strong>Yokohama? Era lá que era o dojo americano?</strong><br />
Sim. Era numa base militar.</p>
<p><strong>Como que os militares americanos conheceram o Aikido?</strong><br />
Bem, eu não sei exatamente, mas, de novo, havia informações das conexões do Tohei Sensei no Havaí. Foi naquela época que as pessoas começaram a saber mais sobre Aikido, os americanos estavam lá, e alguns militares tinham vindo ao Hombu dojo.</p>
<p>Na época, era uma receita enorme para o Hombu dojo. Quando eu saía para ensinar, eu cobrava por aula, pegava o dinheiro e voltava para o dojo. Era muito dinheiro. Ainda me lembro. Na época o dólar era forte por causa da economia japonesa. O yen não valia nada. Eu acho que naquele tempo, quando ingressei no dojo, a mensalidade era de 500 yens. 500 yens, na época, era um valor considerável. Lembro-me que uma tigela de “lamen” custava aproximadamente 25 yens. Quando eu cobrava pelos gi’s, eu arrecadava 2.500 yens por pessoa por uma aula! Portanto, com 10 ou 15 pessoas na aula, era uma boa quantia, quase o salário que um professor universitário ganhava em um mês eu conseguia em uma noite. Era bom para o dojo.</p>
<p><strong>Você e os outros uchi-deshi da época se tornaram bons amigos?</strong><br />
Sim. Eu não tinha problemas. Eu me dava bem com todo mundo. Éramos todos pobres. Não tínhamos muita chance de sair. De vez em quando, alguém nos convidava, algum membro convidava os uchi-deshi para sairmos juntos. Mas geralmente, todo mundo estava fora dando aulas, então não tínhamos muito tempo. De jeito nenhum se saía junto para comer e beber como se faz hoje. Não poderíamos bancar de forma alguma. Quando acontecia, alguém nos patrocinava, nos convidava.</p>
<p>Eu era bem próximo do Noro. Nós passeávamos juntos, bastante. Mais tarde, Kanai Sensei e eu nos aproximamos quando dávamos aula na base militar. Como eu disse, éramos uma boa equipe.</p>
<p><strong>Sensei, como você acabou vindo para os Estados Unidos?</strong><br />
(<a href="http://senshin.com.br/2009/12/entrevista-yamada-sensei-parte-3/">Continua&#8230;</a>)</p>
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		<title>A evolução do shihonage de O-Sensei (por Chiba Sensei)</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 13:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tharso Vieira</dc:creator>
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		<title>Entrevista: Yamada Sensei (parte 1)</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 14:21:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tharso Vieira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>(Por Peter Bernarth, 7º dan &amp; David Halprin, 6º dan)</p>
<p><em>Essa entrevista com Yamada Sensei aconteceu durante o USAF Summer Camp da Região Leste em 1998, na Universidade de New Hampshire. É a primeira parte de uma extensa entrevista. Aqui, com seu jeito caracteristicamente franco e alegre, Yamada Sensei relembra seu começo no aikido e seus primeiros dias como uchi-deshi no Hombu Dojo. Para ver a entrevista original, em inglês, publicada no Aikido Online, <a title="Yamada Sensei Interview - Aikido Online" href="http://aikidoonline.com/articles/shihankai_articles/yamada/inside_aikido_pt1.php" target="_blank">clique aqui</a></em><em>. Agradecemos à nossa querida Cris pela tradução.</em></p>
<p><a title="Yamada Sensei, Hombu Dojo por Senshin, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/senshin/4107463693/"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2540/4107463693_5c6b661a70_o.png"  alt="Yamada Sensei, Hombu Dojo" width="400" height="553" / rel="lightbox[roadtrip]"></a></p>
<p><strong>Sensei, a primeira coisa que gostaríamos de lhe perguntar é sobre sua história no Aikido. Sua história pessoal, porque você começou no Aikido e como isso aconteceu?</strong><br />
Eu comecei por causa de meu tio, Tadashi Abe Sensei. Ele era uchi-deshi de O-Sensei bem no início. Foi através dele que eu conheci O-Sensei e o Aikido. Eu dizia pra mim mesmo, um dia, quando tivesse a idade certa, eu queria praticar, queria estudar com O-Sensei. Além disso, eu tive bastante sorte de ser aceito como uchi-deshi devido à minha conexão com Abe Sensei. Eu pensei que essa era uma boa mudança no meu estilo de vida&#8230; Uma oportunidade de estabelecer meu caráter. Obviamente, como outros garotos, você quer ser um herói, ser forte, entende? Essa foi minha motivação para iniciar o Aikido.</p>
<p><strong>Você poderia nos contar mais sobre seu tio e seu grupo de uchi-deshi? Qual era a situação?</strong><br />
Não me lembro de muitos detalhes, mas o pai de Abe Sensei respeitava O-Sensei e o dava suporte financeiro. O Sr. Abe era muito dedicado a O-Sensei. Acho que era na época que o Doshu era jovem. Abe Sensei e Doshu eram da mesma idade. Claro que Koichi Tohei estava lá. Eles eram todos da mesma geração. Pessoas como Saito Sensei estavam por ali também, mas acho que ele era um pouco mais jovem.</p>
<p>Creio que Abe Sensei foi o primeiro, antes mesmo do Tohei, a ir para outro continente para apresentar o Aikido. No caso, a França. Naquele tempo, era muito difícil para os japoneses viajarem para fora do continente. Ainda estávamos sob ocupação americana e não era fácil viajar, mas ele conseguiu usando as conexões de seu pai com certas pessoas VIP.</p>
<p>Eu acho que foi muito difícil para ele, obviamente, porque ninguém sabia o que era Aikido. Naquela época, como todo mundo, ele tinha que misturar um pouco de judô e então mostrar o Aikido. Sua filosofia principal não era difundir o judô, é claro, mas ele provavelmente teve que usar pessoas do judô, como aconteceu comigo. Tive de usar judocas e caratecas para fazer demonstrações no início. Não havia mais ninguém.</p>
<p>E claro, Abe e Tohei Sensei eram como irmãos, sabe? Então eles brincavam como irmãos&#8230; Lutando&#8230; Não exatamente lutando, mas você sabe, eles tinham uma certa rivalidade.</p>
<p><strong>Aconteceu alguma coisa entre eles dois em algum momento?</strong><br />
Bem&#8230; Sim. Bom, eu vou contar. Você sabe que Tohei Sensei era muito forte, e sempre que Abe Sensei o desafiava, era derrotado. Uma vez&#8230; Foi quando eu estava no ginásio, talvez até antes, e naquela época Tohei estava em Osaka, tomando conta do Dojo de lá ou algo assim. Isso foi logo antes de Abe Sensei ir para a França, então Abe quis desafiá-lo mais uma vez. Bem, Abe Sensei achava que não havia como pegá-lo com o Aikido, e de forma alguma com judô. Ele estava freqüentando a universidade na época e ingressou na academia de wrestling deles. Então ele estudou um pouco de luta e técnicas de chão e ele me disse, “Dessa vez eu posso pegá-lo”. E me levou com ele, como testemunha.</p>
<p>Eu estava sentado sozinho no dojo de Osaka. Tohei Sensei estava com um gi normal de Aikido e hakama, no meio do tatami. Abe Sensei estava com sua roupa de ginástica e meio que o cercando. Ele estava brincando com Tohei sobre seu treinamento de luta, e de repente ele tentou pular nele, com seus braços à sua volta, sabe, como luta Greco-romana,<br />
Agarrando, segurando, mas nada funcionava (risos)! Ele não conseguia pegá-lo de jeito nenhum. Depois disso, no trem a caminho de casa, eu disse para meu tio “Eu pensei que VOCÊ fosse o homem mais forte do mundo”. Ele ficou tão bravo (risos). Logo depois ele foi para a França.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/1kpgQ4hupYQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/1kpgQ4hupYQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<em>Seminário de Tohei sensei em 1965, na Flórida. O uke é Yamada Sensei.</em></p>
<p><strong>Quanto tempo ele ficou na França?</strong><br />
Não sei. Bastante tempo. Uns 10 anos, mais ou menos. Ele voltou quando eu ainda era uchi-deshi. Quando ele retornou e me viu como uchi-deshi, ele ficou muito feliz.</p>
<p><strong>Antes de se tornar uchi-deshi você considerava outra carreira, ou você sempre achou que iria fazer Aikido?</strong><br />
Não, eu nunca achei isso, nunca pensei no Aikido como uma forma de ganhar a vida. Ninguém pensava, nem Kanai Sensei&#8230; Nenhum de nós achava que poderia viver ensinando Aikido. Estávamos felizes apenas por ter condições de praticar.</p>
<p><strong>Qual sua idade quando começou?</strong><br />
17 ou 18&#8230; Não tenho certeza. Provavelmente, 18.</p>
<p><strong>Você poderia nos contar um pouco sobre o Hombu dojo na época em que você começou?</strong><br />
Bem, o dojo na época era uma construção mais antiga do que a que você vê hoje. Era um típico dojo de madeira, bonito, com apenas um andar. Como um dojo ele era bom. Ele estava conectado à casa da família Ueshiba, e nós todos dormíamos no tatami, portanto obviamente todo dia você tinha que levantar porque estava dormindo onde as pessoas tinham aula. Nos foi concedido um quarto pequeno na parte da família Ueshiba para que todos puséssemos nossos pertences. Era uma bagunça.</p>
<p>Quando entrei, Arikawa Sensei e Tamura Sensei estavam lá. Havia também um cara, o Sr. Noro, que tinha seu próprio tipo de sistema, tinha eu, o Chiba, Kanai e Sugano. Claro, havia muita gente que entrava e saía, mas basicamente era aquele grupo. Tada Sensei e Yamaguchi Sensei já davam aulas regulares, e acho que Tamura também. Alguns senseis tinham uma ou duas aulas.</p>
<p>Naquele tempo, Tohei Sensei era o instrutor chefe e depois que entrei, ele foi para o Havaí. Ou eu entrei quando ele estava no Havaí, não me recordo exatamente. Mas enfim, foi na época em que havia uma ligação com o Havaí.</p>
<p><strong>Como era o horário no Hombu Dojo naquela época?</strong><br />
Ainda me lembro claramente. As aulas da manhã eram das 6h30 às 7h30, e das 8h às 9h, então eles não abriam até a aula da tarde das 4h às 5h e das 6h30 às 7h30. Então, no período entre as aulas regulares, havia muitas aulas particulares que as pessoas compravam com, por exemplo, o instrutor chefe Koichi Tohei. Todos nós tínhamos que estar à disposição para fazer ukemi nessas aulas, porque as pessoas ricas pagavam muito bem por essas aulas particulares. Naturalmente, todo o dinheiro ia para a subsistência da sede.</p>
<p><strong>E quanto aos alunos em geral, não os uchi-deshi. Parece que havia muitas aulas particulares. Quantos alunos havia na época? Que tipo de pessoa estava praticando?</strong><br />
Bem&#8230; No Japão da época o Aikido ainda não era muito conhecido. Poucas pessoas sabiam a respeito. Eles não faziam propaganda, não havia demonstrações públicas. Agora temos a “Demonstração de Aikido de Todo o Japão” todo ano. Ainda me lembro da primeira, porque O-Sensei não lhes deu permissão para fazer aquilo.</p>
<p><strong>Quem organizava isso?</strong><br />
Depois que o Doshu assumiu, é claro, houve sugestões de várias pessoas. Você entende, tinha que haver uma mudança. Não eram mais os velhos tempos. Acho que o Doshu convenceu O-Sensei de que deveríamos mostrar isso ao público, mas ele não queria. Eu ouvi dizer que nos velhos tempos basicamente, todos os artistas marciais não queriam mostrar suas técnicas aos outros&#8230; Como eles sacavam a espada, o que for&#8230; Eles não queriam mostrar para ninguém. Eles apenas ensinavam determinados alunos, porque não queriam que o inimigo visse.</p>
<p>É por esse motivo que, naqueles tempos, se você selecionasse pessoas como alunos, você precisava de uma apresentação primeiro. Mas isso mudou, assim como nosso dojo se abriu para o público. Qualquer um poderia ingressar. Mas só então começamos a fazer demonstrações públicas. Não era tão organizado lá naquele tempo, sem escritório, sem local para inscrição.</p>
<p>As pessoas que ingressavam vinham e abriam as portas de entrada da família Ueshiba. Sempre que ouvíamos alguém chegar durante as aulas, um de nós pulava à frente para ver quem era e recebê-los&#8230; “Posso ajudar?” Havia apenas uma mesinha pequena onde eles assinavam para se registrar. Não era tão organizado&#8230;</p>
<p><strong>O-Sensei acabou se ajustando à nova idéia de se abrir para o público?</strong><br />
Acho que sim&#8230; Acho que ele não tinha opção. Eles precisavam fazer algum dinheiro.</p>
<p><strong>Como era treinar com O-Sensei?</strong><br />
(<a title="Entrevista: Yamada Sensei - parte 2" href="http://senshin.com.br/2009/11/entrevista-yamada-sensei-parte-2-2/" target="_self">continua</a>&#8230;)</p>
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