Fórmula pra ficar bom de aikido
O que faz alguém ficar bom em aikido?
Vou simplificar aqui resumindo tudo a 5 aspectos: frequência, boa instrução, compromisso, talento e sorte.
Frequência
Quanto mais você você treina, melhor. O ideal é treinar todos os dias, desde que, claro, seu corpo aguente isso numa boa. Se você não pode praticar 7 dias por semana, faça como eu: pratique 6. Se não pode 6, tente 5. Ou 4, 3, 2… Se você gosta de aikido e tem a possibilidade de praticar uma única vez por semana, não há problemas. Vá e aproveite ao máximo, mas é claro que sua evolução será mais lenta.
Boa instrução
Há professores ruins que têm alunos bons e há professores ótimos que têm alunos ruins. Mas, sem dúvida, ter um bom professor ajuda e muito. Faz com que você não perca tempo demais errando. Muita gente dedicou a vida a encontrar algumas respostas e se você tiver que fazer isso tudo de novo, simplesmente não vai dar tempo. Um bom instrutor também te deixa quebrar a cabeça às vezes, porque apesar do meu argumento anterior, é ótimo que você seja capaz de procurar suas próprias respostas quando isso for necessário. Por último, um bom instrutor nem sempre é o melhor técnico, mas sempre te dá condições, liberdade e incentivo para que você aprenda, veja coisas diferentes e mantenha sua visão aberta e saudável. O mau professor quer apenas que você fique sob sua asa. O bom professor quer muito que você fique bom.
Compromisso
Este é o aspecto mais importante até agora, porque, de certa forma, engloba os anteriores. O ponto aqui é: se você se propôs a fazer algo, faça de corpo e alma. Compromisso é treinar o máximo possível. É treinar certo, com foco. É buscar boa instrução, ir a seminários, ver o que os outros estão fazendo de bom. É falar menos e fazer mais. É abolir treinos mecânicos, dando mais vida ao seu aikido. É, sobretudo, quando você estiver exausto e começar a ficar desleixado, lembrar-se que fazer de qualquer jeito cansa o mesmo que fazer direito.
Não quero com isso dizer que o aikido tem que ser a prioridade número 1 na sua vida. Você tem sua família, seu trabalho, outras atividades… E é absolutamente legítimo se você considerar o aikido como sua oitava, talvez nona, prioridade. Mas o tema deste artigo é “o que é preciso pra ficar bom” e compromisso é fundamental.
Talento
O mundo não é justo e eu não vou ser hipócrita: é óbvio que talento ajuda… desde que o talentoso faça a parte dele. Mas isso não quer dizer que, para praticar aikido, você precisa ter um dom. Até porque seu talento muitas vezes aflora à medida em que você treina seriamente. Já vi muitos talentosos que nunca ficaram bons… e já vi gente que tinha bastante dificuldade evoluir até níveis bem altos. Uma vez vi sensei Donovan responder com uma certa indignação a alguém que exaltava seu “incrível talento”: “Talento? Eu treino há mais de 40 anos, várias horas quase todos os dias. Não reduza meu suor a talento”. Dizer que alguém é muito talentoso, algumas vezes é uma desculpa para nossa própria falta de empenho. Pense nisso.
Sorte
Tenho um amigo que diz: “Sem sorte, não dá nem pra comer um Sonho de Valsa. O papel gruda, o chocolate derrete, o telefone toca, seu amigo pede um pedaço…”.
É chato, mas é verdade. Não importa em que cidade do Brasil você mora, mas certamente, você sabe o que é futebol. Com certeza já andou chutando bola por aí. Talvez tenha gostado, talvez não. Talvez tenha talento e vontade, talvez não. Agora, se você mora em Inhaúmas, é bem possível que não haja um dojo de aikido por perto (escrevi a primeira cidade que me veio à cabeça. Se houver um super dojo em Inhaúmas, peço que me desculpem e corrijam). É claro que se o cidadão inhaumense (“inhaumense, Tharso?”) tiver o sonho de treinar aikido, ele vai batalhar por isso e tem boas chances de conseguir. Mas quando falo em sorte, penso no cara que teria tudo pra ser ótimo, mas que passará a vida sem nem saber o que é aikido. Você tem que ter a sorte de conhecer aikido, ter um dojo perto, horários compatíveis, encontrar um bom professor num momento em que ainda não tem repertório para escolher um… enfim, há alguns fatores imponderáveis. Mas se você leu este texto até aqui, acho que já superou essa parte.
Povo de Inhaúmas, espero vocês no dojo!
Palavras-chave: commitment, compromisso, donovan, frequencia, sorte
Jan 14, 2010
Que triste, eu aqui em Campinas, com tudo disponivel, mas me sentindo uma inhaumense… Nao vejo a hora de mudar isso! Enfim, questao pertinente a colocada, resposta resumidamente interessante, gostei!
Jan 14, 2010
Hummmm… E quando Inhaúmas virá ao dojo, Marita-San?
Jan 14, 2010
Oi Tharso, identifiquei alguns pontos que atrapalham minha evolução e que tenho dificuldade. Pode ser que seja algo comum… ou de alguém que não tenha muito o terceiro ponto abordado no post… rs…
1. medo de sofrer uma lesão / medo de lesionar o companhiero.
2. falta de frequencia faz o aikido mais difícil / aikido mais difícil leva a falta de frequencia.
3. sensação de que estou atrapalhando o treino dos outros.
4. dificuldade em entender visualmente a técnica e repetí-la.
5. cair antes de ser derrubado.
Gostaria que você comentasse principalmente sobre as lesões. Sei que quando vc já tem algum tempo, consegue se posicionar para se defender, mas no começo isso é muito difícil.
Obrigado
Jan 15, 2010
Putz, Karam… Adorei seu comentário. Excelentes os teus pontos! Vamos fazer o seguinte: Pra não ficar me estendendo demais por aqui, nos próximos posts, vou abordar cada um dos itens levantados por você… Que tal? Grande abraço! =)
Jan 29, 2010
Quanto ao talento já desisti de procurar, treinar horas por dia todos os dias ainda não é possível, então sobra dedicação total nos treinos que estou fazendo. Adorei o comentário do Donovan, talento? sangue, suor e lágrimas.