Engate a quinta e acelere (ou: A importância da frequência na prática do aikido)

Nota: Este é o segundo dos 5 assuntos que o Karam pediu que eu abordasse.

Pra quem não sabe dirigir, vou explicar aqui rapidamente*:

  1. Entre no carro,
  2. Acomode-se confortavelmente,
  3. Ajuste os 3 retrovisores de modo que você consiga ver o que se passa à sua volta,
  4. Coloque o cinto de segurança,
  5. Ligue as luzes,
  6. Gire a chave,
  7. Dê seta para avisar que você vai sair,
  8. Olhe à frente,
  9. Olhe também no retrovisor,
  10. Olhe em volta,
  11. Pise na embreagem,
  12. Engate a primeira,
  13. Olhe em volta novamente (nunca se sabe quando um motoboy vai aparecer!),
  14. Acelere,
  15. Torça pro carro não morrer,
  16. Solte a embreagem,
  17. Cuide do volante!
  18. Pise na embreagem novamente,
  19. Engate a segunda,
  20. A esquina está chegando, ligue a seta…

Cara! Dirigir é difícil pra caramba! Requer atenção e ações coordenadas e direcionadas a um monte de coisas. Por isso, nas primeiras vezes em que você conduz um veículo, a coisa parece uma aventura. Depois, com a prática diária, tudo se torna tão natural que você simplesmente para de racionalizar cada ato e dá até pra ouvir uma musiquinha e pensar no menu do jantar.

Nesse aspecto, a diferença entre o ato de dirigir e o de praticar aikido é que você exercita suas habilidades como motorista diariamente… e o faz com uma baita concentração, aproveitando cada momento de aprendizado. Para os motoristas em geral, dirigir todos os dias não é uma opção. E se o cara dirigiu mal hoje, isso provavelmente não o fará ir de taxi amanhã. Já no aikido, você tem uma espécie de contrato consigo mesmo que é renovado a cada vez que você pisa no tatame.

O treino de aikido é baseado em repetição, ou seja, praticamos uma técnica repetidas vezes com a intenção de que nosso corpo aprenda e acostume-se com aqueles movimentos a ponto de torná-los instintivos.

No volante e no aikido as coisas acontecem muito rápido à sua frente. Assim como você freia ou troca uma marcha, o objetivo é que, uma vez que uma determinada situação se apresente, seu corpo reaja de forma natural e instintiva. Mas, para que isso aconteça, esse conhecimento deve estar bem sedimentado aí dentro de você… E a única forma de fazer isso acontecer é treinando, treinando… e treinando.

Assistir a vídeos, ler livros e sites, conversar com outros praticantes ou qualquer forma de exercício teórico de aikido pode te ajudar a expandir seus horizontes, mas nada substitui a prática física. Não adianta mentalizar um movimento 50 mil vezes. Seu corpo precisa executá-lo 50 mil vezes.

Tudo isso, meus caros, pra dizer o quanto a frequência é importante. Especialmente quando essa frequência estiver aliada à concentração. Ou será que você pratica aikido pensando no menu do jantar?

* Se você quer aprender a dirigir, vá à Auto Escola, ok?

2 Comments to “Engate a quinta e acelere (ou: A importância da frequência na prática do aikido)”

  1. Karam 2 February 2010 at 10:19 #

    lembrei daquela frase do Manoel de Barros. “Repetir repetir – até ficar diferente. Repetir é um dom do estilo.”

  2. tharso vieira 2 February 2010 at 11:35 #

    Adorei essa, Karam. Vou passar a usar daqui pra frente. =)


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