Engate a quinta e acelere (ou: A importância da frequência na prática do aikido)
Nota: Este é o segundo dos 5 assuntos que o Karam pediu que eu abordasse.
Pra quem não sabe dirigir, vou explicar aqui rapidamente*:
- Entre no carro,
- Acomode-se confortavelmente,
- Ajuste os 3 retrovisores de modo que você consiga ver o que se passa à sua volta,
- Coloque o cinto de segurança,
- Ligue as luzes,
- Gire a chave,
- Dê seta para avisar que você vai sair,
- Olhe à frente,
- Olhe também no retrovisor,
- Olhe em volta,
- Pise na embreagem,
- Engate a primeira,
- Olhe em volta novamente (nunca se sabe quando um motoboy vai aparecer!),
- Acelere,
- Torça pro carro não morrer,
- Solte a embreagem,
- Cuide do volante!
- Pise na embreagem novamente,
- Engate a segunda,
- A esquina está chegando, ligue a seta…
Cara! Dirigir é difícil pra caramba! Requer atenção e ações coordenadas e direcionadas a um monte de coisas. Por isso, nas primeiras vezes em que você conduz um veículo, a coisa parece uma aventura. Depois, com a prática diária, tudo se torna tão natural que você simplesmente para de racionalizar cada ato e dá até pra ouvir uma musiquinha e pensar no menu do jantar.
Nesse aspecto, a diferença entre o ato de dirigir e o de praticar aikido é que você exercita suas habilidades como motorista diariamente… e o faz com uma baita concentração, aproveitando cada momento de aprendizado. Para os motoristas em geral, dirigir todos os dias não é uma opção. E se o cara dirigiu mal hoje, isso provavelmente não o fará ir de taxi amanhã. Já no aikido, você tem uma espécie de contrato consigo mesmo que é renovado a cada vez que você pisa no tatame.
O treino de aikido é baseado em repetição, ou seja, praticamos uma técnica repetidas vezes com a intenção de que nosso corpo aprenda e acostume-se com aqueles movimentos a ponto de torná-los instintivos.
No volante e no aikido as coisas acontecem muito rápido à sua frente. Assim como você freia ou troca uma marcha, o objetivo é que, uma vez que uma determinada situação se apresente, seu corpo reaja de forma natural e instintiva. Mas, para que isso aconteça, esse conhecimento deve estar bem sedimentado aí dentro de você… E a única forma de fazer isso acontecer é treinando, treinando… e treinando.
Assistir a vídeos, ler livros e sites, conversar com outros praticantes ou qualquer forma de exercício teórico de aikido pode te ajudar a expandir seus horizontes, mas nada substitui a prática física. Não adianta mentalizar um movimento 50 mil vezes. Seu corpo precisa executá-lo 50 mil vezes.
Tudo isso, meus caros, pra dizer o quanto a frequência é importante. Especialmente quando essa frequência estiver aliada à concentração. Ou será que você pratica aikido pensando no menu do jantar?
* Se você quer aprender a dirigir, vá à Auto Escola, ok?
Palavras-chave: concentracao, dirigir, foco, frequencia, karam





Feb 02, 2010
lembrei daquela frase do Manoel de Barros. “Repetir repetir – até ficar diferente. Repetir é um dom do estilo.”
Feb 02, 2010
Adorei essa, Karam. Vou passar a usar daqui pra frente. =)