O que se olha e o que se vê
Vejo muita gente praticando de forma mecânica. Gente que cai, levanta, cai, levanta, se cansa, descansa um pouco, cai levanta, cai levanta… Dessa forma, o aikido, na melhor das hipóteses, é uma espécie de ginástica, o que, na minha forma de ver as coisas, tá longe de ser o ideal.
O problema, além da criatura não aprender, é que, depois de um tempo, a prática se torna repetitiva e chata. E chato é tudo que o aikido NÃO é!
Treinar aikido é divertido e estimulante,
desde que você saiba dar o enfoque adequado.
Estou falando da forma como se vê o aikido. De você assumir a responsabilidade pela qualidade do seu treino e torná-lo produtivo. De se questionar sobre cada técnica, sobre cada movimento. Falo de buscar entender a mecânica e a dinâmica das técnicas.
Quem me abriu os olhos para ver o aikido dessa forma foi, sem dúvida, o sensei Ricardo Leite. O ano era 2002 e o Senshin acabara de ser inaugurado. Sensei Ricardo, depois de relutar um pouco, nos aceitou como alunos e passou a vir a Campinas todas as semanas. Com frequência, também o visitávamos em São Paulo.
Nessa época, um mundo novo se abriu pra mim. Sensei tinha respostas lógicas para minhas dúvidas. Não digo que eram as únicas respostas, mas eram embasadas e claras. Era nítido que ele havia estudado aquilo.
Outra grande contribuição dele foi me estimular a descobrir as respostas e checá-las por mim mesmo, durante o treino. Sem depender, necessariamente, de alguém pra me dizer o que fazer.
Não estou aqui dizendo que é possível aprender aikido sozinho. Mas é fundamental que você se comprometa e contribua com seu professor na difícil tarefa de ensinar aikido.
Nessa época, um episódio me marcou. Acho que ilustra bem o que estou querendo dizer.
Sensei Ricardo tinha acabado de mostrar uma técnica e, menos de 1 minuto depois, fui consultá-lo sobre uma dúvida. A resposta veio afiada:
- É bem mais fácil vir aqui me perguntar do que tentar fazer, né? O problema é que, se eu te der a resposta assim, de graça, vou ter que sempre te dar todas. Volta lá e tenta.
Com o rabo entre as pernas, voltei e tentei. E tentei. E tentei. E, provavelmente, não consegui resolver minha dúvida naquele dia. Mas consegui algo muito melhor: meu jeito de treinar aikido mudou a partir daquele momento.
3 Comments to “O que se olha e o que se vê”
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[...] dia, aqui mesmo neste blog, falei sobre a importância de se ver o aikido sob o enfoque certo. E eis que agora me aparece este [...]
Olá… Primeiro eu vou começar a praticar o aikido,espero que ai mesmo no senshin dojo… fiz 15 anos dia 5 de janeiro e ganhei de presente a tão esperada chance nesse esporte
…eu gostaria de saber se essas fotos são do dojo mesmo ?
do senshin ?
porque eu vi um video e gostei muito mesmo do lugar
eu queria saber qual é a faixa de idade dos alunos ai presentes
muitos obrigado !
Oi, Lucas, tudo bem? Obrigado pelo seu comentário. A maioria das fotos no site é do senshin, sim. Modéstia a parte, o dojo é bonito mesmo. Quanto à faixa de idade, temos alunos de 13 a 60 anos, mais ou menos. Como no aikido não há competições ou categorias, as pessoas, em geral, praticam juntas independentemente de idade ou outras variáveis físicas (exceção para crianças pequenas). Fique à vontade para aparecer quando quiser. Se você puder, estarei no dojo amanhã de manhã. A aula começa às 10h30 e você pode participar pra experimentar. Abração e até breve!